• Luís Henrique Cintra

A tempestade na educação




Por Maurício Benevides Filho


Lendo o artigo de Heloisa Schurmamm intitulado “Toda tempestade passa”, ocorreu-me que a tempestade passa, mas muda o destino do barco. A pandemia vai passar e o mundo seguirá outra rota. Talvez o novo normal sejam “tempestades” constantes. Os vírus, como os furacões na Flórida, são fenômenos naturais recorrentes. Neste século tivemos SARS, MERS e covid-19. Seria errado prever outra pandemia em poucos anos? Não deveríamos mudar nossa rotina ?


Harari avisava que o Século 21 seria pleno de desafios, impondo ciclos curtos e permanentes de reinvenção. Some-se a essa dinâmica agora a necessidade de isolamento e adoção massiva das novas tecnologias.


Os impactos da covid serão grandes e variados, talvez uma “desglobalização” possa ocorrer, com menos intercâmbio de pessoas, bens e informações. No sentido contrário poderemos viver um “renascimento digital”, com a revisão de dogmas que nortearam diversas áreas até aqui, em especial a educação a distância (EAD).


Por décadas se tentou popularizar a EAD, sempre se enfrentando resistências. Achava-se que a EAD seria uma tecnologia disruptiva que substituiria a educação formal, o que é um erro, pois a EAD é complementar à educação presencial, podendo coexistir ambas em colaboração mútua.


Eis que ocorre uma “tempestade” no momento em que o celular é quase parte de nosso corpo e 80% dos lares têm acesso à internet (IBGE, 2018). Esse cenário possibilitou a implementação, por escolas e universidades, de atividades remotas, que, mesmo sem a capacitação adequada dos professores e sem os equipamentos necessários, conseguiram manter os alunos ativos e transmitir conhecimento. É óbvio que retornaremos ao ensino presencial, mas acredito que a EAD passou no teste da “tempestade” e demonstrou ser inadiável seu maior uso, até para que estejamos melhor preparados no caso de nova pandemia.


Como dito por Lenin, há décadas em que nada acontece e há semanas em que décadas acontecem, ou melhor, há semanas em que a EAD acontece.

Maurício Benevides Filho é diretor da Faculdade de Direito da UFC e doutor em tecnologia da educação a distância


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